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O Centro Cultural Banco do Brasil Brasília está apresentando a exposição Uma história da arte brasileira, uma realização do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM Rio) que faz um extenso mergulho na produção artística nacional dos séculos 20 e 21. Com uma versão expandida, a mostra exibe cerca de cem obras do acervo do museu, o dobro da edição anterior, ocupando o térreo e o subsolo da Galeria 1 do CCBB.
A entrada é gratuita e a classificação é livre, reforçando o compromisso das instituições em democratizar o acesso à arte moderna e contemporânea, ampliando o alcance de um acervo considerado crucial para a compreensão da cultura visual brasileira.
Com curadoria de Raquel Barreto, curadora-chefe, e Pablo Lafuente, diretor artístico do MAM Rio, a exposição constrói um percurso que mostra continuidades, rupturas e experimentações ao longo de mais de cem anos de produção artística. Pintura, escultura, fotografia e outras formas de expressão dialogam entre si, revelando como diferentes artistas interpretaram o país, suas tensões sociais e suas mudanças estéticas.
Dentre os artistas presentes estão nomes consagrados como Candido Portinari, Di Cavalcanti, Hélio Oiticica, Lygia Clark, Lygia Pape, Tomie Ohtake, Tunga, Beatriz Milhazes, Leonilson, Sebastião Salgado, Sergio Camargo, Luiz Zerbini e Thiago Martins de Melo, entre outros. A seleção inclui também produções mais recentes, evidenciando a diversidade de vozes e narrativas na arte contemporânea brasileira.
A exposição está dividida em cinco eixos curatoriais que contextualizam os principais movimentos e mudanças na arte no Brasil. O percurso inicia com o Modernismo (1910–1950), passa pelo Abstracionismo e Concretismo dos anos 1950, avança pela Nova Figuração e pelas poéticas conceituais das décadas de 1960 e 1970, chega à diversidade da produção dos anos 1980 até o presente e termina com Imagens do Brasil contemporâneo, um núcleo dedicado à fotografia a partir do comodato Joaquim Paiva, uma das coleções mais significativas do país.
“Trazer essa exposição para Brasília reafirma o compromisso do MAM Rio com a função social da arte, entendida como instrumento de educação, cidadania e reflexão crítica”, afirma Yole Mendonça, diretora-executiva do museu. Segundo ela, a itinerância nacional permite que mais pessoas tenham acesso a um acervo com mais de 16 mil obras e se aproximem de um patrimônio artístico essencial.
A presença da exposição em Brasília também possui um simbolismo especial. Originalmente concebida para a Cúpula do G20, realizada no MAM Rio em novembro de 2024, a mostra foi primeiramente vista por autoridades e delegações internacionais antes de ser aberta ao público. Agora, em sua circulação nacional, o projeto reforça a arte como uma linguagem universal e um espaço de encontro.
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No dia 16, foi realizada a abertura oficial em Brasília, reunindo autoridades, diplomatas, artistas, curadores e representantes da cena cultural local. A inauguração foi conduzida por Camila Val, gerente-geral do CCBB Brasília, e por Yole Mendonça. Um dos destaques da noite foi a presença da artista Camila Soato, única representante do Distrito Federal na exposição, fortalecendo o diálogo entre o acervo histórico e a produção contemporânea.
“Nosso objetivo é proporcionar uma visão abrangente da arte brasileira, especialmente para um público que nem sempre está familiarizado com essa trajetória histórica”, explica Raquel Barreto. Segundo os curadores, a proposta é convidar os visitantes a revisitarem trajetórias consagradas e, ao mesmo tempo, repensar narrativas a partir da diversidade marcante na produção artística do país.
Em exibição até 8 de fevereiro de 2026, Uma história da arte brasileira se destaca como uma das mostras mais relevantes da temporada cultural em Brasília, oferecendo um retrato plural, crítico e sensível da arte que contribuiu — e continua contribuindo — para imaginar o Brasil.
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