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A quarta edição do Sense Moda Criativa está chegando ao fim, com cinco jovens talentos preparando suas coleções exclusivas para o desfile de 4 de outubro, no Galpão 17. Mais do que apenas uma vitrine, o projeto, criado pelo designer e artista Igor Alessandro – também conhecido como a drag queen Ayobambi – representa uma plataforma fundamental para a moda brasiliense.
“O Sense surgiu devido à falta de iniciativas que facilitem a entrada de novos talentos no mercado da moda em Brasília. Eu sei o quão desafiador é se lançar aqui, pois é raro o reconhecimento do talento de um designer recém-formado no mercado local. O projeto existe para mudar esse cenário”, explica Igor.
Nesta temporada, com o tema “A Construção: Candangas do Amanhã”, o Sense está celebrando os 65 anos de Brasília e promovendo uma reflexão sobre memória, identidade e futuro. Para orientar os cinco designers selecionados – Hael Conclave, Key Saito, Rubi Ocean, Isabella Martins e Piper Impéria – o projeto conta com um trio de mentores renomados: Rafaella Lacerda, Romildo Nascimento e Sergio Calado.
Ao longo do processo, os estilistas participaram de seis encontros presenciais com os mentores, além de terem acesso a orientação virtual. Cada etapa foi cuidadosamente planejada para combinar teoria, prática e troca de experiências, incluindo aulas sobre sustentabilidade, memória dos candangos, oficinas de upcycling, visitas a ateliês e discussões sobre o mercado. Com essas orientações, os designers refinaram suas criações até a apresentação final.
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Rafaella Lacerda:
o rigor da pesquisa e a potência da memória
Designer, professora e pesquisadora, Rafaella Lacerda contribuiu para o projeto com seu foco em tecidos, texturas e sustentabilidade. Doutoranda em Design pela UnB, fundadora da startup Texturas Ecolab e representante do Fashion Revolution Brasília, ela destaca a estrutura dos encontros para promover o amadurecimento dos participantes.
“O primeiro encontro foi para alinhamento, o segundo trouxe a inspiração da história dos candangos. Depois, houve uma imersão no ateliê de Fernanda Ferrugem, aulas práticas de upcycling e reflexões no CasaPark com a Sacramound e Fernando Lackman. No último encontro, os designers apresentaram looks prontos e semi-acabados. Foi incrível observar a evolução deles”, comenta.
Rafaella destaca a dedicação dos participantes, especialmente a evolução de Isabella Martins. “Ela absorveu as críticas de modo muito positivo e aprimorou sua coleção além do esperado. Isso mostra o impacto transformador do projeto.”
Romildo Nascimento:
olhar comercial sem perder a poesia
Nascido em Pernambuco e estabelecido em Ceilândia, Romildo Nascimento é um nome respeitado no cenário brasiliense desde sua revelação no Capital Fashion Week 2006. Com experiência em eventos como Recife Fashion e Goiânia Fashion Week, ele concentra atualmente seus esforços na moda masculina e em projetos autorais, como o Rap Fashion.
Para Romildo, os workshops foram essenciais para identificar os pontos fortes e fracos dos designers. “As orientações estavam relacionadas à escolha de tecidos, acessórios e à produção das peças. Eles têm um estilo bastante conceitual, de palco, figurino. Meu papel foi instigar a reflexão sobre a importância de considerar o mercado e a viabilidade comercial das coleções.”
Apesar de ser cedo para fazer avaliações, Romildo destaca o conhecimento prévio de Rubi Ocean como um diferencial. “Ela já traz um repertório sólido, mas todos precisam pensar além do desfile. Sem vendas, não há construção de marca”, destaca.
Sergio Calado:
inovação e experimentação como caminho
Formado em Design pelo IESB, com especialização pela ECA-USP e experiência em direção criativa, Sergio Calado é reconhecido por seu trabalho experimental com materiais de baixo impacto ambiental, tendo participado de eventos como CasaCor Brasília e Dragão Fashion Brasil.
Ele descreve os encontros como intensos e cheios de ideias: “No começo, os designers estavam cheios de propostas. O papel da mentoria foi orientá-los a encontrar um caminho viável dentro do prazo estabelecido. Trabalhamos muito no acabamento e na usabilidade – afinal, a peça precisa vestir um corpo e permitir movimento.”
Sergio destaca o uso de técnicas inovadoras, como impressão 3D e materiais não convencionais, incluindo EPIs e revestimentos. “A experimentação é parte do processo criativo. Errar e acertar abrem portas para novas soluções. Isso é ser designer.”
Sobre o tema da temporada, ele enfatiza: “Estamos falando da nossa própria história, de como Brasília foi formada. Tenho grandes expectativas, pois testemunhei de perto o esforço e a pesquisa de cada um. Ser designer é nunca estar pronto, mas sempre estar preparado para o próximo desafio.”
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Um trio que fortalece a cena local
Para Igor Alessandro, ter esse time de mentores é um ponto de destaque. “Eles representam a moda de Brasília em diferentes aspectos e trazem a experiência necessária para orientar os jovens designers. Ver essa interação entre gerações é o que dá força ao Sense”, destaca o idealizador.
Com uma estrutura que oferece apoio financeiro, técnico e criativo, o Sense Moda Criativa já lançou 15 coleções desde 2023 e se estabeleceu como uma das iniciativas mais significativas para a renovação do mercado fashion no DF. O desfile final promete combinar estética, identidade e representatividade em uma passarela que homenageia o passado e projeta o futuro da capital.
Desfile Final – Sense Moda Criativa 2025</
