A partir de 15 de agosto, a cena artística contemporânea do Centro-Oeste se renova em Brasília com a abertura de uma nova temporada no Cerrado Cultural. Com duas exposições inéditas em cartaz, o espaço convida o público a refletir sobre temas como identidade, memória, masculinidades e pertencimento através de variadas expressões artísticas. As mostras individuais intituladas “Antes do couro ceder”, de Rafael de Almeida, e “Um abraço em um fio de lã”, de Abraão Veloso, estarão disponíveis até 12 de setembro, reafirmando a importância da galeria como um centro vital para a arte contemporânea na capital.
Apesar de suas origens distintas, ambos os artistas compartilham um objetivo comum: utilizar suas vivências pessoais e referências culturais para criar narrativas visuais que exploram questões sociais, afetivas e políticas.
No andar térreo, Rafael de Almeida expõe Antes do couro ceder, sob a curadoria do crítico de arte italiano Matteo Bergamini. Esta mostra investiga o imaginário rural do Cerrado e as intersecções entre delicadeza e força, memória e ficção, vulnerabilidade e resistência. O boi, figura emblemática da cultura sertaneja, é retratado junto ao corpo humano em composições que desafiam os estereótipos tradicionais da masculinidade.
A pesquisa visual de Rafael integra fotografia, pintura, colagem e processos fotoquímicos como a cianotipia. Ele também utiliza arquivos históricos e imagens geradas por inteligência artificial para construir sua narrativa autobiográfica. Jaquetas de couro não servem apenas como vestimentas; elas se tornam símbolos que evocam histórias, afetos e dinâmicas de poder presentes na vida rural.
Cineasta e artista visual ativo no cenário nacional, Rafael Almeida é professor na Universidade Estadual de Goiás (UEG) e tem suas obras reconhecidas em importantes acervos públicos. Seu trabalho é frequentemente destacado em salões e exposições dedicadas à arte contemporânea brasileira.
<pNo andar superior da galeria, Abraão Veloso traz Um abraço em um fio de lã, com curadoria de Divino Sobral. Esta exposição transforma elementos tipicamente associados ao lar em meios para refletir sobre afeto, identidade e resistência.A mostra inclui pinturas, esculturas têxteis e crochês feitos entre 2024 e 2026. Abraão resgata habilidades aprendidas na infância para contar histórias que questionam estereótipos masculinos. O fio de lã simboliza cuidado, memória e a possibilidade de estabelecer novos laços.
As obras apresentam jovens negros e integrantes da comunidade LGBTQIAPN+ em instantes de intimidade e contemplação, oferecendo representações sensíveis de corpos que historicamente sofreram estigmas. Na série Nagô, as tramas feitas com lã se conectam às tranças africanas, criando diálogos entre ancestralidade, pertencimento e identidade cultural.
Nascido em Ipatinga (MG) e atualmente residindo em Goiânia, Abraão Veloso integra uma nova geração artística que vem aprofundando discussões sobre representatividade nas artes visuais brasileiras. Ele já participou de importantes mostras nacionais como a SP-Arte.
Essas duas exposições reforçam o compromisso do Cerrado Cultural em promover a produção artística da região Centro-Oeste enquanto fomentam diálogos entre diversas gerações e linguagens artísticas. Desde sua abertura em 2023, a instituição tem se dedicado a valorizar artistas locais e conectar Brasília e Goiânia com o panorama nacional da arte contemporânea.
A nova temporada não apenas apresenta obras inéditas; ela propõe também um diálogo entre diferentes formas de perceber o mundo. Através das paisagens simbólicas do Cerrado ou dos gestos sutis do cuidado humano, as exposições demonstram como a arte pode ampliar nossos horizontes, incentivar reflexões profundas e transformar memórias em experiências coletivas.
Exposições: Antes do couro ceder (Rafael de Almeida) e Um abraço em um fio de lã (Abraão Veloso)
Curadorias: Matteo Bergamini e Divino Sobral
Abertura: 15 de agosto de 2026, às 11h
Visitação: De 15 de agosto a 12 de setembro de 2026
Local: Cerrado Cultural – SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília (DF)
Horários: Segunda a sexta-feira das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h
Entrada: Gratuita.
