Existem residências que se destacam pela sua estética, enquanto outras permanecem na memória por evocar sentimentos. Em sua segunda participação na CASACOR Brasília, a arquiteta Giovanna Leal, da Giovanna Leal Arquitetos, decidiu homenagear essa dimensão intangível do ato de morar. Com o espaço intitulado “Onde a Casa Pulsa | Living Gourmet”, que ocupa 102 m², a proposta arquitetônica surge das lembranças para criar um lar que acolhe, aproxima e transforma os encontros em momentos centrais.
Com base no tema “Mente e Coração”, o projeto é inspirado nas recordações da infância da arquiteta, em uma residência sempre cheia de vida, onde refeições à mesa faziam parte do cotidiano, conversas se prolongavam pelas tardes e os encontros se estendiam até a noite. A proposta não se limita apenas a relembrar o passado; ela investiga como essas vivências moldam a maneira de habitar o presente.
“Sempre acreditei que uma casa pode cuidar das pessoas. Isso não diz respeito apenas ao conforto físico, mas também à sua capacidade de reunir pessoas, desacelerar o cotidiano e criar memórias duradouras”, declara Giovanna Leal.
O living, a área de jantar e o espaço gourmet são interligados em uma configuração harmoniosa, refletindo uma abordagem contemporânea de habitar. No coração do ambiente, um louceiro se torna um ponto focal onde o tempo é materializado, reunindo peças familiares que transformam recordações em presença e evidenciam um estilo de vida em que cuidar da mesa sempre foi parte integrante do dia a dia, mesmo nas circunstâncias mais simples.
A curadoria afetiva se estende aos detalhes que compõem este espaço. O mobiliário escolhido na Breton contribui para criar uma atmosfera calorosa e atemporal, dialogando com elementos como madeira escura, camurça e uma iluminação suave pensada para aguçar os sentidos. A composição é enriquecida pela obra de Arthur Grangeia, inspirada no livro Raízes do Amanhã, que amplia as discussões sobre origem, pertencimento e legado.
<p“Estamos cada vez mais imersos em um mundo conectado e, muitas vezes, distantes de nossas próprias raízes. Meu objetivo foi criar um espaço onde as pessoas possam reconhecer fragmentos de suas histórias pessoais. Acredito que a casa também tem o poder de curar por meio do encontro, das conversas ao redor da mesa, das risadas compartilhadas e da sensação de pertencimento que vem da beleza do cotidiano vivido com atenção e carinho”, explica a arquiteta.Mais do que apenas um local para receber visitas, este projeto propõe uma reflexão sobre a importância dos encontros diários. Alinhado ao tema da mostra, ele revela um lar onde o tempo desacelera e o afeto retoma seu papel central na vida cotidiana. Um espaço onde memória, presença e convivência se entrelaçam, sublinhando que a arquitetura também pode dar forma às narrativas que optamos por preservar.
