Pacientes estão mudando a forma como buscam cuidados estéticos, optando por um acompanhamento contínuo que prioriza a saúde da pele e oferece cuidados personalizados.
A maneira como as pessoas buscam tratamentos estéticos está se transformando. Ao invés de se submeterem a procedimentos apenas quando surgem queixas específicas ou tendências, muitos pacientes estão escolhendo um acompanhamento mais regular. Essa abordagem envolve avaliações médicas, cuidados diários com a pele e intervenções realizadas somente quando necessário.
Esse fenômeno ocorre em um mercado que movimenta bilhões anualmente. Dados de 2024 da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS) revelam que, globalmente, cerca de 38 milhões de procedimentos estéticos, tanto cirúrgicos quanto não cirúrgicos, foram realizados, marcando um aumento de 42,5% em comparação a 2020. No Brasil, o número foi de aproximadamente 3,12 milhões de procedimentos, com 2,35 milhões deles sendo cirurgias.
Nesse contexto, surge a proposta do planejamento anual como uma estratégia para organizar os cuidados com base nas necessidades e características individuais dos pacientes. Essa abordagem não implica em um cronograma rígido de procedimentos; ao contrário, visa monitorar a evolução da pele e determinar quais cuidados são realmente benéficos ao longo do tempo.
A dermatologista Regina Buffman ressalta que o primeiro passo deve ser uma avaliação detalhada do paciente. “Não existe um calendário estético universal que sirva para todos. O planejamento deve levar em conta fatores como idade, características da pele, histórico médico e expectativas pessoais. Em alguns casos, pode ser mais apropriado não realizar nenhum procedimento naquele momento”, explica.
O acompanhamento pode incluir práticas simples como uso diário de protetor solar, hidratação adequada e uma rotina eficaz de cuidados com a pele. Além disso, registros fotográficos podem ajudar a monitorar as mudanças ao longo do tempo. Quando indicado, diversas técnicas podem ser empregadas, como toxina botulínica, lasers e peelings.
Para Regina, a principal transformação reside na substituição de decisões impulsivas por escolhas mais informadas. “Planejar não significa aumentar o número de procedimentos realizados. É sobre entender as necessidades da pele e escolher o momento ideal para cada intervenção, evitando ações desnecessárias ou cumulativas. A estética deve ser tratada de maneira personalizada e segura”, afirma a especialista.
É fundamental também reconhecer que os procedimentos estéticos demandam uma cuidadosa avaliação dos riscos envolvidos. Antes de qualquer processo estético, é essencial que o paciente verifique a formação e credenciais do profissional responsável além da regularização dos produtos e equipamentos utilizados durante o atendimento.
A popularização das novas tecnologias e tratamentos aumentou as opções disponíveis nos consultórios estéticos; no entanto, isso torna ainda mais crucial a orientação profissional adequada. O fato de haver muitas opções não significa que todas sejam adequadas para cada pessoa ou que devam ser combinadas indiscriminadamente.
“Atualmente dispomos de muitos recursos excelentes que são extremamente benéficos quando usados criteriosamente. Contudo, nenhuma tecnologia pode substituir uma avaliação minuciosa. O foco deve ser sempre cuidar da pele respeitando as particularidades individuais do paciente”, enfatiza Buffman.
Assim sendo, essa tendência por um cuidado mais planejado reflete uma mudança na percepção sobre estética. Mais do que buscar resultados instantâneos, o acompanhamento continuo permite observar as alterações na pele ao longo do tempo e ajustar os cuidados conforme necessário.
A meta é transformar a estética em parte integrante de um cuidado abrangente onde prevenção e avaliação médica são tão importantes quanto os procedimentos realizados ocasionalmente.
