Volpi chega à capital federal

Após 46 anos de ausência em exposições individuais na capital federal, Alfredo Volpi retorna ao cenário artístico de Brasília. A mostra Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, situada no Cerrado Cultural, Lago Sul, apresenta 23 obras que exploram diversas fases de sua carreira e reestabelecem a conexão do artista com a cidade.

Com curadoria de Cinara Barbosa, a exposição abrange peças provenientes de coleções brasileiras, datadas entre as décadas de 1920 e 1980. As obras incluem paisagens, cenas do cotidiano, fachadas e as icônicas bandeirinhas, ilustrando a evolução da pintura de Volpi desde uma abordagem observacional até investigações mais rigorosas sobre cor, geometria e composição. A maioria dos trabalhos é inédita para o público de Brasília.

A ligação do artista com Brasília também se manifesta na Capela Nossa Senhora de Fátima, localizada na 307/308 Sul, onde ele criou um mural que foi apagado em 1962. Esse episódio deixou uma marca significativa na memória artística e no patrimônio da cidade.

Durante a abertura da exposição, Cinara Barbosa ressaltou a importância do evento: “É uma chance única, pois é a primeira vez que o artista apresenta uma individual desde os anos 1980 na capital”. Ela acrescentou que essa coleção permite perceber tanto o vínculo de Volpi com a arte concreta quanto a continuidade das referências figurativas relacionadas às cidades brasileiras e ao interior do país.

No segundo andar da galeria, Kuenan Mayu apresenta sua obra que oferece uma nova perspectiva sobre as interconexões entre imagem, matéria e existência. Natural do Amazonas, a artista se inspira nas práticas tradicionais das mulheres de sua comunidade e na cosmovisão Tikuna para explorar temas como transformação dos corpos, metamorfoses da natureza e o vínculo entre vida e espiritualidade.

Suas dezesseis obras utilizam cascas de árvores e pigmentos naturais e minerais como materiais principais. Esses elementos não apenas servem como suporte; eles são parte integrante da pesquisa que valoriza a origem da matéria e os saberes ancestrais presentes na elaboração das criações.

Kuenan explica: “Essa série é fruto das práticas tradicionais das mulheres da minha comunidade no Amazonas. A partir delas, busco criar meus trabalhos tendo como base a cosmovisão do povo Tikuna, que enfatiza coexistência, transformação corporal e as mudanças na natureza, na lua e na vida.”

As duas exposições trazem diferentes perspectivas artísticas ao espaço da galeria, todas ligadas pelo desejo comum de observar e interpretar o mundo através da arte. De um lado está a trajetória marcante de Volpi no modernismo brasileiro em relação à história local; do outro lado, uma investigação contemporânea que une práticas indígenas tradicionais com materialidade e cosmologia.

As mostras estarão abertas ao público até o dia 13 de novembro com entrada gratuita.

Alfredo Volpi – Os lugares do olhar e Tawemücü Pu’tchi
Artistas: Alfredo Volpi e Kuenan Mayu
Curadorias: Cinara Barbosa e Mandú; Divino Sobral atua como curador adjunto
Visitação: até o dia 13 de novembro de 2026
Local: Cerrado Cultural — SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília (DF)
Horários: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábados das 10h às 13h
Entrada: gratuita
Informações: @cerrado.galeria | www.cerradogaleria.art

By Núcleo Beleza

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