Max Maciel, deputado distrital, pedagogo e ativista social, amplia sua atuação ao apresentar o livro Filhos do Pó Vermelho (Avá Editora). Nesta sua primeira incursão no mundo da ficção, ele se baseia em mais de dez anos de experiência trabalhando com comunidades periféricas do Distrito Federal para criar uma narrativa que une a força de uma crítica social à sensibilidade das histórias pessoais que encontrou ao longo de sua jornada.
O romance é ambientado em “Nova Alvorada”, uma periferia fictícia que reflete a realidade de Brasília. A história segue Jonas, um jovem que enfrenta os desafios do trabalho informal, a violência urbana e a falta de apoio estatal. A obra enfatiza a educação como uma ferramenta de libertação, descrita pelo autor como uma “faca invisível”, que permite ao protagonista entender e resistir às estruturas opressoras que o cercam.
Mais do que um relato pessoal, o livro é uma celebração das potências criativas e da resiliência das periferias. Max Maciel dá voz a personagens que simbolizam elementos essenciais da vivência local: a luta das mães periféricas, a busca por acesso à universidade como caminho para ascensão social e o cotidiano daqueles que buscam equilibrar sobrevivência e esperança por mudanças significativas.
A narrativa de Maciel se destaca para leitores exigentes que valorizam obras que vão além do mero entretenimento. Ele incorpora referências ao rap nacional e à cultura periférica em seu texto, além de prestar homenagem aos migrantes nordestinos que constituem a base social do Distrito Federal.
No prefácio, escrito pela ativista Áurea Carolina, é ressaltado que o livro resulta de uma escuta atenta e da observação profunda da realidade local. O autor declara: “São trajetórias marcadas pelo medo e pela desigualdade, mas também pela capacidade transformadora da arte, da cultura e dos encontros coletivos”.
- Título: Filhos do Pó Vermelho
- Autor: Max Maciel
- Editora: Avá Editora
- Ilustrações: Anne Mendes
- Texto de contracapa: Ana Flávia Magalhães Pinto
- Temas centrais: Racismo estrutural, luta de classes, resistência periférica, educação como emancipação e a memória da construção de Brasília.
