Radiação solar acelera o envelhecimento da pele e danifica células

Cientistas da China descobriram um mecanismo celular que elucida como a radiação ultravioleta B (UVB) prejudica e acelera o envelhecimento da pele. A pesquisa foi divulgada nesta quarta-feira (21) na revista Cell Death Discovery, que faz parte do grupo Nature.

De acordo com o estudo, a exposição à radiação UVB provoca um desarranjo nas ligações químicas entre as proteínas nas células cutâneas, um fenômeno conhecido como estresse dissulfeto. Esse acúmulo anômalo resulta em disulfidptose, uma forma de morte celular programada que afeta os queratinócitos, que são as células predominantes na epiderme.

Os pesquisadores também destacaram o papel de uma proteína chamada NCKAP1 nesse mecanismo. Durante testes realizados em animais, a inibição dessa via resultou em uma diminuição dos danos celulares e teciduais provocados pela radiação.

Os achados sugerem potenciais direções para investigações futuras, embora ainda não exista evidência de que esse mecanismo possa ser aplicado em tratamentos para humanos.

A dermatologista Thaís Teles, de Brasília, observa que “uma descoberta científica pode abrir novas portas, mas é necessário avançar por várias etapas até que chegue à prática clínica”.

Segundo ela, o estudo amplia o conhecimento sobre um fenômeno já reconhecido na dermatologia chamado fotoenvelhecimento. Esse processo envolve a radiação solar combinada com fatores genéticos, hábitos de vida e o envelhecimento natural do corpo.

Teles enfatiza que “durante muito tempo, o envelhecimento da pele foi visto apenas como uma questão de perda de colágeno e surgimento de rugas. Hoje compreendemos que há uma série de alterações celulares envolvidas”.

A radiação ultravioleta não só causa a morte celular, mas também gera estresse oxidativo, danifica o DNA, provoca inflamação e degrada as estruturas responsáveis pela sustentação e elasticidade da pele.

Sem queimadura
Esses efeitos podem se acumular mesmo na ausência de vermelhidão ou ardência na pele e podem surgir anos depois na forma de manchas, rugas e diminuição da firmeza.

“A pele tem memória”, afirma Teles. “O paciente não precisa necessariamente apresentar queimaduras para sofrer danos solares. Exposições frequentes, mesmo em situações cotidianas, contribuem para um envelhecimento precoce.”

Embora procedimentos dermatológicos possam suavizar os sinais visíveis do envelhecimento, eles não conseguem reverter as alterações celulares acumuladas ao longo do tempo.

A principal estratégia preventiva continua sendo a fotoproteção. Isso inclui o uso de protetor solar de amplo espectro, vestimentas e chapéus adequados além da evitação do sol durante os horários em que a radiação é mais intensa. Vale lembrar que a radiação ultravioleta é um fator de risco comprovado para diversos tipos de câncer de pele.

“Não se trata apenas de questões estéticas; estamos falando também sobre saúde”, conclui a especialista.

Referência: Zhou, Z. et al. “UVB-induced keratinocyte disulfidptosis drives skin photodamage and photoaging”. Cell Death Discovery, 21.out.2026.

By Núcleo Beleza

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